Opinião de Alexandre Mota

Alexandre Mota
Balanço de 2010 e Perspectivas para 20112011-01-21 15:48:00Em 2010, os mercados financeirosforam constantemente assombrados pelos problemas no mercado de dívida soberana epelas tensões no mercado cambial. Contudo, a nível macroeconómico, os sinais vãosendo cada vez mais optimistas, embora revelem algumas preocupações quanto àsmedidas que foram implementadas pelas diferentes instituições internacionais.

Foi um ano extraordinário para amaioria das commodities. A prata foi um dos activos vencedores, com um ganho de 83%. Oouro registou o maior ganho anual desde 2007. Nos mercados accionistas, destaquepara os ganhos em Wall Street e Alemanha (o motor exportador da economiaeuropeia). Os principais índices americanos registaram ganhos significativos nodecurso do ano, retirando sustentação do programa de compras de activos pela FederalReserve.   

Em Portugal, Espanha, Itália e Grécia,as perdas do sector financeiro atiraram os índices para o vermelho. Este foi osector mais atingido pelo contágio da crise soberana e aumento do prémio derisco. No decurso do ano de 2010, várias agências de rating cortaram anotação dos países da periferia da Zona Euro. Estes sentiram de imediatodificuldades no acesso ao crédito no mercado interbancário, tendo aumentado adependência em relação aos financiamentos do Banco Central Europeu.   

É impossível prever o que vaiacontecer em 2011. No entanto, podemos apontar para alguns dos temas: 
• A recuperação da economia mundiale a procura de matérias-primas pelas economias emergentes continua a sustentarem alta as commodities (petróleo, cobre e prata) e o dólar australiano(esta divisa está intimamente relacionada com a evolução dos metais). 
• O mercado accionista poderá sermarcado por novos ganhos, beneficiando directamente dos programas de injecçõesde liquidez pelos bancos centrais. Contudo, o sector financeiro deverácontinuar a ser vítima do processo de desalavancagem das economias. 
• As guerras comerciais entre asmaiores potências mundiais e as pressões inflacionistas das economias deverãoinfluenciar fortemente os mercados financeiros.   

Dívida soberana éuma dívida assumida ou garantida por um Estado ou pelo seu banco central. A dívidasoberana pode ser interna, quando os credores são residentes no país, e externa, quandoresultante de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior.  

Desalavancagem éum processo de redução da alavancagem. A alavancagem expressa a relação entre ocapital de uma empresa e a quantidade total de recursos que capta no mercadosob a forma de empréstimo, sendo a desalavancagem, portanto, a tentativa deminorar esta relação, diminuindo os riscos para a empresa.         
 
 
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